'Seguramos meu filho por 30 minutos para não afundar', diz sobrevivente de naufrágio em Manaus

  • 14/02/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia investiga falha humana ou irregularidades em naufrágio no Encontro das Águas Cerca de 30 minutos à deriva para manter o filho, de 1 ano 1 e mês, vivo em meio ao desespero e à falta de coletes suficientes. Esse foi o relato da empresária Júlia Moraes, uma das sobreviventes do naufrágio da embarcação de transporte de passageiros Lima de Abreu XV, perto do Encontro das Águas, em Manaus. O acidente aconteceu na última sexta-feira (13), quando a lancha de transporte da empresa Lima de Abreu Navegações saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte. Duas pessoas morreram, sendo uma criança e uma jovem de 22 anos, e outras sete seguem desaparecidas. Em entrevista ao g1, Júlia disse que a lancha começou a bater forte nas ondas logo após passar pela área conhecida como “gelão”. Segundo ela, passageiros pediram para que o condutor diminuísse a velocidade. “A minha cunhada começou a gritar pedindo para diminuir. E o rapaz falou, brincando, que aquele era o ‘jato expresso que corre na água’. Depois disso, a lancha começou a bater muito forte”, relatou. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo Júlia, outros passageiros também pediram para reduzir a velocidade, mas não foram atendidos. Cerca de 20 minutos depois, a água começou a invadir a parte da frente da lancha. “Veio uma água tão forte pela frente que começou a alagar. Foi muito rápido. Em 15 minutos, a lancha já estava totalmente no fundo”, disse. Em entrevista ao g1, Júlia disse que a lancha começou a bater forte nas ondas logo após passar pela área conhecida como “gelão”. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Superlotação e falta de coletes A empresária contou ainda que a lancha estava superlotada e que não tinha coletes salva-vidas para todos. Alguns, segundo ela, estavam em más condições. “A lancha estava superlotada. Não tinha salva-vidas para todo mundo. Alguns não prestavam, não tinham cordinha para amarrar no pescoço”, contou. Durante o naufrágio, passageiros correram para a parte de trás da embarcação, tentando escapar da água. Nesse momento, Júlia perdeu o filho de vista. “Meu filho estava afundando. Eu perdi ele no fundo, mas consegui achar e trazer para cima”, relatou, emocionada. Júlia colocou o filho sobre um cooler para mantê-lo fora da água e depois pediu ajuda para subir em uma boia. Ela contou que passou cerca de 30 minutos tentando manter o filho acima da água até conseguir apoio em uma boia. Depois, os sobreviventes ficaram à deriva aguardando resgate. “Ficamos cerca de 30 minutos segurando meu filho para não afundar. A gente ficou à deriva muito tempo”, afirmou. Ela disse que a primeira embarcação que passou pelo local não prestou socorro. “Eles só tiraram foto, fizeram vídeo e passaram direto. Não ajudaram a gente”, disse. Segundo Júlia, a cena foi de pânico generalizado. “Tinha gente tirando colete do outro para tentar se salvar. Quando eu olhei para o lado, vi um moço se debatendo. Depois percebi que ele estava morto. É a pior sensação da face da terra. Um monte de crianças chorando, tomando água”, contou. O acidente O naufrágio ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira. Vídeos obtidos pela Rede Amazônica mostram várias pessoas na água, inclusive crianças, em cima de botes salva-vidas, enquanto aguardavam socorro. As imagens também registram embarcações próximas tentando auxiliar no resgate das vítimas. Uma passageira que ficou à deriva relatou em vídeo que havia alertado o condutor da lancha para diminuir a velocidade devido ao banzeiro (ondas turbulentas características da região). No registro, gravado enquanto ela estava à deriva, a mulher afirma: "falei para ir devagar". Assista abaixo. Passageira de barco que naufragou no Encontro das Águas em Manaus grava vídeo à deriva O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi detido em flagrante no porto da capital, onde se encontrava com outros sobreviventes. Contudo, após o pagamento de fiança, foi colocado em liberdade e responderá por homicídio culposo. A Marinha do Brasil informou que mantém equipes nas buscas pelo naufrágio da embarcação Lima de Abreu XV. Segundo o Comando do 9º Distrito Naval, foram empregadas uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste, uma embarcação do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas e duas lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental. De acordo com a Marinha, as buscas continuam neste sábado (14), tanto na área do acidente quanto nas margens dos rios, com apoio de embarcações e mergulhadores. A corporação informou ainda que coletou dados dos sobreviventes para ajudar nas buscas e na apuração do caso. Foi instaurado um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para investigar as causas e responsabilidades do acidente, conforme prevê a legislação. INFOGRÁFICO  - Naufrágio em Manaus g1

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/02/14/seguramos-meu-filho-por-30-minutos-para-nao-afundar-diz-sobrevivente-de-naufragio-em-manaus.ghtml


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